Categoria: Mundialização e Cosmopolitismo

VALORES MODERNOS:TRABALHA-COMPRA-CONSOME-MORRE!

Somos um exército de zombies…

«Chego a casa do trabalho, esgotado e vazio. Demasiado cansado para a interacção humana, carrego nos botões do controlo remoto e fixo o olhar sem vida no grande ecrã de televisão. Não demora muito até que os comerciais e a infindável parada de “product placements” invadam as minhas defesas e penetrem a minha mente. Cada detalhe de cada mensagem é meticulosamente calculado, pensado para ser repetitivo e hipnótico, uma e outra vez, até que a manipulação mental finalmente faz efeito. A minha mente está agora cheia de desejo ilusório. Fast-Forward. Como um drogado a ressacar, dou por mim a percorrer os corredores estéreis do centro comercial como se estivesse nalgum tipo de transe. O grupo diverso de consumidores que me rodeiam…todos iguais: olhos vidrados, olhares sem vida, caras transformadas em horríveis máscaras de querer. Somos um exército de zombies. Em vez de cérebro e carne humana, devoramos “merchandise” estrategicamente colocado e produtos de preço acessível manufacturados na China. Esgoto rapidamente os meus cartões de crédito e a minha alma, regressando a casa com a minha recompensa de sacos de compras. Todos cheios de lixo produzido em massa, rapidamente jogado para a pilha do restante lixo que tenho acumulado. Amanhã vou acordar, tomarei o café e deixarei o conforto e segurança da minha casa para ir trabalhar. Passarei mais um longo e entediante dia na cativa monotonia que se mascara de emprego. Quando terminar, voltarei outra vez para casa e descansarei em frente do grande ecrã de televisão enquanto esperarei pelos radiantes comerciais, como pequenas partículas penetrando o que resta do meu cérebro. E todas as noites digo a mim mesmo: ‘talvez um destes dias eu tire a ficha.’»

Malcolm Klimowicz, Adbusters

Islamização da Europa: Será que, afinal, “teremos sempre Paris”?

ideologia mundialista etnocida

O que eles fizeram aos nossos povos…

«Não somos nada; na verdade, aos horrores do século XX, as nossas democracias responderam com a “religião da humanidade”, ou seja, pela universalização da ideia do semelhante e pela condenação de tudo o que divide ou separa os homens (…) Isso significou que, para não mais excluir ninguém, a Europa teve de se desfazer de si mesma, “desoriginar-se”, não guardar nada mais das suas origens do que o universalismo dos direitos do homem. Esse é o segredo da Europa. Nós não somos nada.»

Alain Finkielkraut, em entrevista ao Le Monde, 11 e 12 de Novembro de 2007

A superclasse global permanece imune ao alastrar da miséria

No meio da crise económica e financeira que afecta os povos da Europa e em particular os gregos, festas luxuosas desenrolam-se em Atenas com os grandes magnatas do transporte marítimo. No meio da miséria que vai alastrando entre o povo, uma superclasse global imune a tudo isso explica que o capital não tem pátria nem lealdades nacionais e que, se ameaçados nos seus lucros, transferirão os negócios em minutos para outras partes da utopia global. É o mundo sem fronteiras nem identidades, feito de deslocalizações e migrações, onde a economia dita os valores. Mas atenção, não se pense que a superclasse global é completamente destituída de sentido nacional, como explicam, muitos deles até preferem o clima da Grécia. Reportagem de Robert Wright no Finantial Times:

«Nas profícuas festas de Atenas desta semana teria sido fácil esquecer que a Grécia enfrenta uma calamitosa crise económica. Mas, de muitas maneiras, os eventos que marcaram a Posidonia – a grande reunião bi-anual dos armadores – tinham tão pouco a ver com o resto da Grécia como se tivessem acontecido em Marte.

Os grandes armadores da Grécia ( a mais importante nação do mundo da indústria) e dos outros países têm andado a festejar o afastamento de uma crise sectorial que há um ano tinha potencial para destruir muitos dos seus negócios.

Os grandes magnatas deram pancadinhas nas costas uns dos outros enquanto consumiam vastas quantidades de cocktails e sushi, marisco e carnes.

Os eventos mais concorridos tiveram lugar no Astir Palace, um resort numa península privada delimitada por pinheiros, bem afastada dos mendigos das ruas, protestantes anti-governo e professores a enfrentarem grandes cortes salariais que se tornaram emblema da crise fiscal grega.

“É um mundo paralelo” explicou John Liveris, presidente da Ocean Freight Inc., durante uma entrevista no Astir Palace.

A questão é saber se a crise grega vai levar à colisão dessas sociedades separadas e como reagiriam os donos de navios se acabassem a ter de suportar duras medidas anti-crise do governo.

As actividades principais dos armadores gregos – transportar matérias-primas e embarcar petróleo e os seus derivados – recuperaram da sua crise sobretudo graças à força da economia chinesa e não devido a factores domésticos.

A maioria destes magnatas faz os seus negócios bancários e de chartering em Londres, registam as suas empresas em Nova Iorque e conduzem outros negócios em qualquer outra parte do mundo que lhes convenha.

Poucos têm mais que um pequeno escritório na Grécia para se preocuparem se o governo decidisse agir sobre os impostos dos seus lucros internacionais.

Evangelos Marinakis, um magnata sedeado em Pireus, disse que as suas empresas tinham escritórios em Londres, Rússia, Singapura, Filipinas e Roménia. “Para nós, seria uma questão de minutos para mudarmos a nossa gestão para fora da Grécia”.

Michael Bodouroglou, o presidente da Paragon Shipping, justifica o sucesso dos armadores gregos pela independência do governo.” O sector público está realmente a sufocar o sector privado, com a sua burocracia, a sua ineficiência e, nalguns casos, até as suas práticas corruptas”, explicou.

Contudo, os magnatas gregos insistem que sentem simpatia pelos seus compatriotas e preferem viver na Grécia do que em Chipre, Malta, Mónaco ou Suíça..

A escolha é fácil de perceber, como George Economou, um proeminente proprietário grego, explicou defronte a uma linda baía solarenta.

“A maioria de nós está aqui porque gostamos do clima”, disse.” Criámos aqui um cluster no qual podemos operar – com as pessoas que dominam a indústria. Mas se necessário, podemos fazê-lo noutro lugar.”

O governo socialista aborreceu os armadores ao abolir o ministério da marinha mercante, que costumava coordenar a política em relação ao sector.

Contudo o governo grego não apresenta sinais de acreditar que impostos sobre os armadores ou apropriação dos seus activos alcançaria alguma coisa. O Senhor Economou explicou que a sua posição estava protegida pela constituição desde há mais de 40 anos. Assim, o mundo paralelo de festas e mendigos parece estar para continuar.»

Este capitalismo é tão sinistro como o comunismo

«Sócrates afirmou que o Mundo mudou em três semanas, mas não tem razão. Foram 25 anos de efeitos combinados de desregulamentação dos mercados; políticas do dinheiro fácil, com taxas muito baixas; multiplicação dos intervenientes, com milhares de “hedge” e outros “funds”; fraquíssima supervisão; bolhas e falsos crashes; e liberdade total de movimentos de capitais entre países. Nasceu uma hidra, com muito mais de sete cabeças. A alta finança é o verdadeiro monstro do século XXI: caótico, anónimo, subversivo, libertino, indomável e letal. Varre tudo à frente: petróleo, arroz, bancos, países, euro. Se políticos e cidadãos não o domesticarem, dará cabo de ambos. Este capitalismo, nesta modalidade desbragada, selvagem e planetária, pode vir a ser tão sinistro como o comunismo foi.»

Domingos Amaral, Correio da Manhã

Capitalismo global, desumanidade total

Acabem com a ajuda externa!

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Passou uma semana desde que Porto Príncipe foi destruída por um terramoto. Nos próximos dias os haitianos irão passar por outro trauma à medida que as equipas de resgate lutarem, e falharem regularmente, para se manterem a par das novas urgências. Depois disso – e mais desastroso que tudo – será a chegada dos soldados do bem, cada qual com o seu brilhante plano para salvarem os haitianos de si mesmos.

“O Haiti precisa de uma nova versão do plano Marshall – agora”, escreve Andres Oppenheimer no Miami Herald, como forma de se queixar de que as centenas de milhões até agora gastas são miseráveis. O economista Jeffrey Sachs propõe gastar entre 10 e 15 biliões de dólares num programa de desenvolvimento a 5 anos. “ A forma óbvia para Washington cobrir este novo financiamento”, escreve, “é introduzindo impostos especiais sobre os bónus de Wall Street”. No New York Times, os antigos presidentes Bill Clinton e George W. Bush afirmam querer ajudar o Haiti a “atingir o seu melhor”. Que grande trabalho fizeram para isso quando estavam de facto no governo.

Tudo isto serve para apaziguar as consciências de pessoas cuja superficial intenção benigna é “fazer algo”. É uma bonança potencial para os profissionais da miséria das agencias humanitárias e ONG’s. E permite aos Jeffrey Sachs do mundo vestirem-se de santos.

Para os verdadeiros haitianos, contudo, praticamente todos os esquemas de ajuda concebíveis para além do auxílio humanitário imediato irão levar a mais pobreza, mais corrupção e menos capacidade institucional. Irão beneficiar os bem colocados à custa dos que verdadeiramente precisam, desviar recursos de onde são realmente necessários e provocar um crowding out das empresas locais. E vai fomentar, precisamente, o culto de dependência com o qual o país necessita desesperadamente de romper.

Como é que eu sei isto? Ajuda se lermos um relatório de 2006 da National Academy of Public Administration, apropriadamente intitulado “Por que falhou a ajuda externa ao Haiti”. O relatório sumariza um conjunto de documentos de diversas agências humanitárias descrevendo os seus longos registos de falhanços no país.

Veja-se, por exemplo, o que o Banco Mundial – que agora está prestes a jogar mais 100 milhões de USD no Haiti – alcançou no país entre 1996 e 2002: “O resultado dos programas de ajuda do Banco Mundial é insatisfatório (para não dizer muito), o impacto do desenvolvimento institucional é insignificante e a sustentabilidade dos poucos benefícios que foram conseguidos é improvável”.

E Porquê? O Banco notou que “o Haiti tem sistemas orçamentais, financeiros e de aprovisionamento disfuncionais que tornam impossível a gestão financeira e da ajuda humanitária”. Mais, observou que “o governo não tomou a iniciativa de formular e implementar o seu programa de ajuda”. De forma reveladora também reconheceu a “total desconexão entre os níveis de ajuda externa e a capacidade do governo para a absorver”, que é outra forma de dizer que quanto mais os dadores estrangeiros gastarem no Haiti, mais fundos serão perdidos.

Mas o verdadeiro problema da ajuda para o Haiti tem menos a ver com o Haiti do que com os efeitos da própria ajuda humanitária em si.” Os países que receberam mais ajudas ao desenvolvimento são também os que estão em piores condições”, diz James Shikwati, um economista queniano, ao Der Spiegel em 2005. “Pelo amor de Deus, parem, por favor!”

Tomemos o exemplo de algo tão aparentemente simples quanto a ajuda alimentar:” A dado ponto” explica Shikwati “este milho acaba no porto de Mombasa. Uma parte do milho vai directamente para as mãos de políticos sem escrúpulos que depois o passam para a sua própria tribo para servir a sua próxima campanha eleitoral. Outra parte do carregamento acaba no mercado negro onde o milho é largado a preços extremamente baixos. Os agricultores locais bem podem arrumar as suas enxadas; ninguém consegue competir com o programa de ajuda alimentar das Nações Unidas”

Sachs acusou estes argumentos de serem “chocantemente mal direccionados”. Mas na realidade, Shikwati e outros, como John Githongo do Quénia ou Dambisa Moyo da Zâmbia tiveram o privilégio de ver em primeira-mão como a “indústria da ajuda humanitária” destroçou os seus países. Que essa indústria o faça tipicamente em conivência com os memos governos locais que conduziram o seu povo à ruína apenas serve para manter essas elites no poder.

Uma abordagem melhor é reconhecer a real humanidade dos haitianos tratando-os – assim que as tarefas imediatas de resgate terminarem – como pessoas capazes de fazerem escolhas responsáveis. O Haiti tem algumas das mais fracas protecções à propriedade do mundo e algumas das mais pesadas regulamentações sobre os negócios. Em 2007 recebeu 10 vezes mais em ajuda (USD 701 milhões) do que em investimento externo.

Reverter estes números é uma tarefa que cabe apenas aos haitianos, e o mundo pode ajudar desistindo de os matar com a sua bondade. Qualquer coisa diferente disso e o inferno que foi agora visitado neste infeliz país virá a parecer apenas o seu primeiro círculo.

Bret Stephans, The Wall Street Journal, 20-01-2010

A geopolítica dos “direitos do homem”

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«O direito internacional saído dos tratados de Vestfália (1648) está hoje de tal forma adulterado pela ideologia dos “direitos do homem” que justifica o direito (ou o dever) de “ingerência humanitária”, isto é, a guerra preventiva, ao mesmo tempo regularmente associada à guerra de agressão. Este direito de ingerência humanitária que viola abertamente a carta das Nações Unidas, não tem qualquer precedente no direito das nações.Ele sugere que qualquer Estado, seja qual for, pode à sua vontade intervir nos assuntos internos de outro Estado, seja qual for, com o pretexto de impedir “atentados aos direitos humanos”.Justificando o intervencionismo político-militar com o qual a descolonização havia teoricamente acabado, permite a um conjunto de países ou de instâncias pretensamente ao serviço de uma nebulosa “comunidade internacional” impor por todo o lado o seu ponto de vista sem levar em conta nem as preferências culturais nem as práticas políticas e sociais aceites ou ratificadas democraticamente. Vemos automaticamente os ricos de deriva de uma tal doutrina que abre, muito simplesmente, a porta a guerras sem fim, o jus ad bellum substituindo-se ao jus in bello.

A ideia de uma justiça que se exerce para além das fronteiras pode seduzir. Mas é necessário ver entretanto que ela choca com obstáculos inultrapassáveis. O direito não pode efectivamente flutuar para além do político. Ele apenas pode ser exercido no interior de uma comunidade política ou resultar da decisão de diversas unidades políticas de se ligarem entre si da maneira que lhes convier.Isso significa que não existindo governo mundial, o direito de ingerência humanitária não pode passar de um simulacro do direito.

Toda a justiça necessita de uma potência política que lhe sirva, ao menos, de força de execução.Na ausência de um governo mundial, a potencia chamada a desempenhar o papel de polícia planetária não pode ser senão aquela cujas forças armadas são tão fortes que nada lhes possa resistir. Como os exércitos estão sempre ao serviço de Estados particulares, isso resulta em consagrar a hegemonia das superpotências, sendo ingénuo acreditar que elas não procurarão, primeiro que tudo, servir os seus próprios interesses, cobrindo as suas agressões com a manta da moral e do direito.Resulta disto que, entre os presumíveis culpados, só os fracos poderão ser castigados, enquanto os poderosos, que não se punirão a si mesmos, não serão inquietados. Ora, uma justiça que não é igual para todos não merece esse nome.

Lembrando as palavras de Proudhon: “Quem fala de humanidade quer iludir”. Carl Schmitt havia já feito notar que “o conceito de humanidade é um instrumento ideológico particularmente útil às expansões imperialistas e, sobre a sua aparência ética e humanitária, é um veículo especifico do imperialismo económico”.

Se qual for a hipótese colocada, a humanidade não é um conceito político. Uma “política mundial dos direitos humanos” é portanto, também ela, uma contradição em termos.»

Alain de Benoist, in Au-delà des droits de l’homme : politique, liberté, démocratie