Categoria: Nacional

Mentalidade de esquerda

A forma como a esquerda acusa constantemente a Alemanha de ser culpada pela crise que afectou uma parte da Europa do sul, ou de não ser solidária com o resto da Europa, querendo que os alemães assumam, para saldar essa suposta culpa, as dívidas dos outros, é própria da natureza ideológica da esquerda.

A esquerda vive, tradicionalmente, do culto da vitimização do “fraco” e da culpabilização do “forte”. Os princípios de responsabilização própria são estranhos à esquerda. O fraco nunca o é por culpa das suas próprias limitações ou falhas mas sim porque é oprimido, enganado ou explorado pelo forte. A culpa nunca é do indivíduo, mas sim da sociedade, que não assume o seu dever de o tornar igual.

Se os governantes alemães pensaram a U.E. como uma forma de beneficiar a Alemanha e o seu povo fizeram muito bem. Quem, no sul da Europa, andou anos a aceitar subsídios para deixar de produzir e proceder à desindustrialização do próprio país, fez muito mal. Enquanto uns pensaram na sua pátria a médio-longo prazo, outros pensaram no seu bolso a curto prazo. A estupidez e a incompetência não têm nem devem de ser indemnizadas.

A mentalidade que sobressai nos constantes pedidos de solidariedade e ajuda, nas tentativas de obrigar o norte mais rico a partilhar os custos da falta de rigor, seriedade política e competência do sul, é equivalente à do inútil que não quis trabalhar ou não conseguiu produzir nada com excelência mas que se acha no direito de exigir subsídios aos que trabalharam mais e melhor.

Mas o que não é de esquerda vê o mundo de outra forma. Tem orgulho e não mendiga. Sente vergonha da sua própria ingenuidade quando compreende que foi iludido e sente vergonha das suas próprias incapacidades quando comparado com os que lhe foram superiores. Ele não esmola, armado em vítima, culpabilizando pela sua situação os que foram melhores ou mais inteligentes, nem sequer os que o enganaram. Põe as mãos no solo, levanta os joelhos do chão, aguenta em silêncio as dores, e diz: “muito bem, assumo as minhas próprias falhas, vou superar isto com o meu próprio esforço e sacrifício, sem ajudas, mas, nem que seja a última coisa que faça, prometo-vos que voltarei para vos olhar de cima!”

Escolhas que revelam a índole da nossa “classe pulhítica”

(…)Portugal é um dos países que mais depressa celebrarão mil anos de independência.Isto se resistir até 2143. Ou, pelo menos, soprar 900 velas daqui a 32 anos, o que muitos de nós iremos testemunhar. Portugal pode consegui-lo, mas tem contra si tanto problemas económicos estruturais quanto a erosão da vontade de existir como Nação.

É neste quadro que aparece a proposta do Governo para abdicar do feriado de 1 de Dezembro, que celebra o dia em que os Restauradores puseram fim a 60 anos de domínio de Madrid.

Sendo certo que há poucos feriados para oferecer em troca dos religiosos – e que o 10 de Junho está fora dessas contas –, Portugal ficará a ser um dos raros países a deixarem de celebrar a libertação de uma potência estrangeira. Pelo contrário, os países bálticos celebram em duas datas diferentes o adeus ao Império Russo e à União Soviética.

Por cá, faltou coragem para assumir que o 25 de Abril, como simples mudança de regime, era um candidato mais óbvio a juntar-se ao 5 de Outubro entre os ex-feriados. Isso afrontaria mais gente do que varrer a independência para debaixo do tapete. Infelizmente.

Leonardo Ralha, Desistir da Restauração, Correio da Manhã

Comentário mais votado entre os leitores:

“o 25 de Abril é um grande dia para os políticos e para as chefias militares, pois foi o dia que lhes permitiu seguir uma carreira onde é possível enriquecerem.”

Lógica liberal

Os liberais explicam-nos que o Estado português teve e tem de privatizar o capital das empresas estratégicas nacionais (o Estado é mau). Mas não vêem inconveniente na compra desse capital estratégico por investidores ligados a governos estrangeiros, por sinal corruptos (o mercado é bom). A partir da perspectiva que os liberais têm da economia percebe-se a lógica. A partir da perspectiva que os liberais têm do interesse nacional…percebe-se a lógica.

Uma exigência necessária sob a forma de uma oportunidade

«”O sistema de justiça português é constituído por lojas maçónicas e controlado pela maçonaria. Além de controlar as decisões dos processos – incluindo os casos da Universidade Moderna, Portucale, Casa Pia, Apito Dourado e Isaltino Morais -, controla igualmente a carreira dos juízes e dos magistrados do Ministério Público e dos altos funcionários do Estado”, diz José da Costa Pimenta, em carta para a actual ministra e os principais protagonistas do sector.

As acusações vão surgir em livro. Eis os vários processos:

CTT: (Citações do Ministério Público) Em escutas telefónicas, um indivíduo faz alusões à sua condição de maçom para obter informações do caso da venda de prédios

Moderna: (Citações do Ministério Público) Uma conspiração maçónica, com a Moderna como ponto de reunião, para tomar conta das estruturas do poder em Portugal, é revelada num documento de Nandim de Carvalho.

Portucale: (Citações de Abel Pinheiro) Nos governos de Guterres, o GOL era conhecido por o “gabinete”, dado o número de socialistas por metro quadrado. (…) É uma rede de relações humanas única.»

In Diário de Notícias, 13-11-2011

O problema

O Diário de Notícia levou a cabo, de 12 a 14 de Novembro, uma interessante investigação sobre as teias de influência das lojas maçónicas em Portugal. Das maiores empresas, passando pelos partidos políticos, com particular incidência no PS (conhecido como o braço político da maçonaria irregular portuguesa, nomeadamente do “famigerado” GOL – Grande Oriente Português), pelos tribunais, pelas forças se segurança e forças armadas, pelos serviços secretos e acabando, naturalmente, nos principais cargos dirigentes do aparelho de Estado, uma grande parte dos principais responsáveis são membros da maçonaria. Isto implica a suspeita de que uma parte importante dos cargos de poder do país são decididos e atribuídos em reuniões secretas de grupos secretos e não são o resultado de processos de decisão abertos, transparentes e assentes exclusivamente no valor pessoal e não na pertença a determinadas redes grupais de influência. A maçonaria é, pois, uma inversão e uma perversão daquilo que é, idealmente, uma sociedade de mérito.

O estafado argumento maçónico

Num artigo sobre o assunto de 14-11-2011, Ferreira Fernandes levanta a questão fulcral: Por que razão a maçonaria, as suas práticas e os seus membros são secretos? Escreve o jornalista: “O culto do segredo, por tão anacrónico, hoje, entende-se mal. A explicação mais imediata é que os maçons ganham por o ser, e fazem-no em segredo para ganharem ainda mais. Mas, ontem, António Reis, que liderou o Grande Oriente Lusitano, disse ao DN que não: serem maçons “pode-lhes causar dificuldades nas suas carreiras profissionais”. Engraçado, tinha ideia do contrário: os maçons que exercem a minha profissão são mais do género de terem estátua sem eu saber porquê do que não a terem embora a merecessem.”

Pois…este é que é o cerne do problema: os maçons pretendem continuar a sê-lo em segredo porque isso os beneficia nos negócios e nas nomeações, porque saber quem são explicaria como é que alguns nomes de honestidade duvidosa e méritos incomprovados conseguem certos lugares…bastaria saber “quem nomeou os nomeados” para se perceber qual a ligação entre uns e outros. Assim, permanecendo em segredo, os membros da organização podem continuar a encher os cargos directivos sem que se estabeleça a ligação que explica certas ascensões profissionais, ou sem que se perceba por que razão o Estado subsidia, com o dinheiro de todos, certas instituições ou faz certos negócios com determinados particulares.

Uma exigência necessária sob a forma de uma oportunidade política

Ninguém pretende impedir os maçons de o serem, e de procurarem nas lojas o tal “aperfeiçoamento espiritual” que, pelo visto, não conseguem alcançar por outros meios ou vias. O que se pretende é que nas lojas não se prepare o “aperfeiçoamento profissional e salarial” dos maçons à custa dos portugueses sem loja e do bom funcionamento do Estado.

Repare-se que mesmo nas organizações que têm por objectivo a tomada do poder político (algo que a maçonaria nega ter por finalidade), isto é, os partidos, a lei exige, apesar do direito de reserva da lista de filiados, princípios de transparência. Da lei dos partidos políticos:

Artigo 6.º

Princípio da transparência

1- Os partidos políticos prosseguem publicamente os seus fins.
2- A divulgação pública das actividades dos partidos políticos abrange
obrigatoriamente:
a) Os estatutos;
b) A identidade dos titulares dos órgãos;
c) As declarações de princípios e os programas;
d) As actividades gerais a nível nacional e internacional.
3- Cada partido político comunica ao Tribunal Constitucional, para efeito de anotação, a identidade dos titulares dos seus órgãos nacionais após a respectiva eleição, assim como os estatutos, as declarações de princípios e o programa, uma vez aprovados ou após cada modificação.
4- A proveniência e a utilização dos fundos dos partidos são publicitadas nos termos estabelecidos na lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais.

Assim, a bem da transparência e da verdade cívica, uma exigência e uma exigência apenas se deve colocar à maçonaria: conhecer os nomes dos seus membros – no mínimo dos que servem o Estado – e as suas – da maçonaria – actividades gerais. O que não conspira não teme, o que é honroso não precisa de se esconder, as práticas viciosas e as ideias inconfessáveis é que precisam de secretismo para se defenderem e propagarem. “Discreta” é a máfia. Em prol de uma comunidade aberta e não de uma chusma sombria.

Isto pode ser feito através de uma petição popular que reúna as assinaturas necessárias para levar esta exigência ao Parlamento. Nem que seja para ver quem são os “irmãos” que lá estarão para rejeitar a proposta de forma a protegerem os seus interesses privados.

Não percebo o que espera o movimento nacionalista, por que não através do próprio PNR, para iniciar esta luta.

Mourinhistas e isaltinistas

O episódio em que, aproveitando a confusão entre jogadores e técnicos do Real e do Barcelona, Mourinho, aproximando-se por trás de forma traiçoeira, agride o adjunto do clube rival, é a imagem sublimada do que ele sempre revelou ser: um mau carácter!

Infelizmente, a idolatria que em Portugal sempre se prestou àquele indivíduo revela também que uma boa parte do nosso povo não tem, igualmente, ética e verticalidade.

Em Portugal mostrou-se sempre um homem arrogante e desrespeitador dos adversários. Um hipócrita, sempre disposto a recorrer a jogos sujos quando necessário, mas muito célere em retirar todo o mérito a quem quer que lhe ganhasse (sim, porque na mente do “special one” ninguém o poderia superar por simples capacidade).

A idiolatria nacional a Mourinho revela dois vícios muito presentes no moderníssimo povinho português: um é o disfarçado complexo de inferioridade que se serve de qualquer triunfo individual para o transformar num triunfo de “todos nós”, outro é a avidez de dinheiro e fama sem olhar aos meios, para essa gente apenas importa o “sucesso”, a forma como isso se alcança é um pormenor irrelevante.

O problema é que o tipo de comportamentos que fizeram o sucesso de Mourinho em Portugal, incentivados, aliás, pelo clube que o lançou para o estrelato internacional e cuja filosofia é precisamente a de vencer a qualquer custo e servindo-se de quaisquer meios, por mais porcos que sejam, não são aceites noutros países, nem são considerados “engraçados”, ou traços de “inteligência” e “competência”, mas sim prova de torpeza. Mourinho não percebeu que em qualquer outro país do mundo que não Portugal, actos de corrupção futebolística como os que foram revelados no processo “Apito Dourado” teriam tido consequências judiciais e desportivas muito graves para os envolvidos. Se Mourinho não percebeu, a Itália já lhe tinha dado esse aviso e Espanha está a reforçar a mensagem: ou muda de atitudes ou vai enlamear outras paragens.

Os idólatras de Mourinho fazem-me lembrar os eleitores do Isaltino Morais em Oeiras: reconhecem-lhe a desonestidade e a falta de integridade moral mas isso não lhes interessa porque ele resolveu o problema do trânsito e construiu boas infra-estruturas. Aos do Mourinho não lhes interessa o carácter do homem porque ele vence, ganha muito dinheiro e tem muita fama (e ainda por cima no futebol, esse baluarte de projecção nacional no estrangeiro). É, definitivamente, a era da escória.

Passou na TV…

Não apanhei a entrevista de início nem sei qual era o contexto da pergunta, mas hoje, no TVI24, ouvi o Alberto João Jardim dar uma resposta de uma lucidez inexistente no deserto intelectual das televisões portuguesas. Não sei o que lhe passou pela cabeça e é bem verdade que é um homem capaz de dizer amanhã o contrário do que diz hoje ou de falar para simplesmente chocar. Mas, descontando tudo isso, permanece este facto: não se limitou a debitar as habituais banalidades “politicamente correctas”, teve um discurso corajoso, descomplexado e certeiro.

Disse que a Europa está em decadência civilizacional e explicou que todos os blocos políticos com uma identidade têm de ter fronteiras, têm de ter um exterior, uma zona de exclusão,uma barreira entre o “nós” e o “eles”. Afirmou que a U.E. cometeu um erro ao pretender ser um espaço de abertura global, sem se proteger, e criticou, a partir de uma perspectiva de direita e não do habitual psitacismo marxista, o capitalismo selvagem em vigor. Reiterou que o continente deveria ter um projecto político e não ser uma mera união económica ao serviço dos interesses capitalistas. Defendeu o proteccionismo, manifestando-se contra a abertura a Estados que concorrem através dos baixos custos de produção ou onde não existem movimentos sindicais ou direitos laborais.

Fica registada para a posteridade esta centelha de luz e originalidade no negrume entediante da opinião “politiqueira” nacional.

Geração quê?

Esta geração que se diz “à rasca”, e que se apresenta como a vítima sem culpa de uma classe política maléfica, tem a pretensão de ser a mais qualificada e preparada de todas, e pensa que isso lhe reforça os “direitos adquiridos”. Mas chega às faculdades sem saber escrever ou fazer um raciocínio matemático simples…confunde qualificações e capacidades com os diplomas académicos que compra. Deveria chamar-se “geração cabotina”.

Comédia da vida pública

Uma ideia que ressurgiu no congresso do CDS-PP (o governo está nas últimas e já cheira a tacho…) e que tem vindo a ser defendida por muitos “comentadores políticos” nacionais: para que Portugal saia da falência em que foi sendo irresponsavelmente lançado ao longo dos últimos 40 anos pela voragem dos oportunistas do PS, PSD e CDS-PP, é preciso um pacto entre os partidos mais respeitáveis: PS, PSD e CDS-PP. A solução é o problema, percebem?

Esta ideia paradoxal é uma consequência da confusão que alguns fazem entre a nação e o regime. É este último que eles querem salvar, não é Portugal.

A um companheiro de muitas noites europeias na velhinha catedral…

Não há desonra nos que caem a combater os que não têm honra! Quinta-feira no sítio do costume, cela va de soi

O projecto farol

“O inquérito feito pelo projecto Farol a 1002 pessoas mostra que 94% dos portugueses desconfiam ou confiam muito pouco na classe política, 89% nos partidos políticos, 84% na Assembleia da República e 90% nos governos. E, quando é pedido um diagnóstico do País, 46% consideram que as actuais condições económicas e sociais são “piores ou muito piores quando comparadas com a vida há 40 anos”. Em relação a um passado mais recente, 58% dos inquiridos entendem que a situação está pior ou muito pior do que antes da entrada na União Europeia. E o pessimismo é elevado em relação aos próximos dez anos: 53% admitem que a situação económica será pior ou muito pior.”

Resultados do inquérito do Projecto Farol sobre a situação do país

O “Projecto Farol” é um lóbi criado pelos mesmos do costume e com a agenda política do costume, não traz nada de novo à vida política nacional e não propõe qualquer alteração de paradigma político-económico, visa penas defender alguns interesses bem instalados na sociedade portuguesa e não podemos deixar de manifestar o nosso desdém pela análise que alguns dos alarves endinheirados ligados a esse projecto pretenderam fazer dos resultados acima transcritos. Desacreditar os resultados afirmando que são fruto da ignorância das pessoas, como se eles fossem parte de uma elite intelectual superior, única capaz de alcançar a verdade, enquanto todos os outros que deles discordam fossem parte de uma massa de estúpidos, é de uma baixeza assinalável. Mas, no fundo, nada disso é assim tão surpreendente, afinal de contas, não há dúvida de que o 25 de Abril foi óptimo para alguns dos mentores do “Projecto Farol”. Belmiro de Azevedo é um desses casos, homem que no Portugal democrático se passeia nas televisões com fama de grande empreendedor quando na realidade não passa de um novo-rico dono de hipermercados e cadeias de retalho que contribuem mais para aumentar a dependência nacional da importação de bens de consumo do que outra coisa qualquer, sem nada produzir que traga verdadeiramente valor acrescentado ao país e quanto a Daniel Proença de Carvalho, o excelso regime democrático permitiu, só a título de exemplo, que passasse a ganhar, em média, 15.800 euros de cada vez que perde uma hora ou duas do seu precioso tempo em reuniões de empresas do PSI 20 como “administrador não executivo”. Como é que não haviam de vir a terreiro cheios de indignação em defesa daquilo que lhes garante os privilégios vergonhosos? Paciência para eles…enquanto isso Salazar vai rindo do fundo da sua tumba. Qualquer um com responsabilidades político/empresariais neste regime, a quem restasse resíduo de dignidade, coraria de vergonha e faria uma reflexão séria sobre o estado a que chegou o sistema, mas aqueles a quem a vergonha já nada diz, limitam-se, como habitualmente, a criticar quem não vota como pretenderiam.