Categoria: Sistema

A mesma subversão…

«Tanto na vida individual como na colectiva o factor económico é hoje o mais importante, real e decisivo. Uma era económica é fundamentalmente anárquica e anti-hierárquica, representa uma subversão da ordem natural. Este carácter subversivo está presente tanto no marxismo como no seu aparente antagonista: o capitalismo moderno. O maior absurdo é aqueles que hoje dizem representar uma direita política permanecerem no círculo escuro e nebuloso desenhado pelo demoníaco poder da economia – um círculo habitado tanto pelo marxismo como pelo capitalismo, juntamente com uma série de fases intermédias. Hoje, aqueles que se alinham contra as forças da esquerda deveriam insistir nisto. Não há nada mais evidente do que o facto do capitalismo ser tão subversivo quanto o marxismo. A visão materialista da vida que é a base dos dois sistemas é idêntica.»

Julius Evola, Men Among the Ruins

A relação promíscua entre a maçonaria e os serviços secretos do Estado

Altos responsáveis dos serviços de informações juram fidelidade e ajuda a “irmãos” que são políticos, assessores do Governo, empresários e jornalistas. A SÁBADO filmou a entrada para uma Grande Loja Maçónica e penetrou no jogo de espelhos das lojas mais secretas e na teia de influências que exercem na sociedade civil portuguesa.

No centro do templo, coberto de panos negros e sob a luz de um candelabro, está um caixão. Lá dentro, um lenço branco manchado de vermelho tapa o rosto de um homem. A cabeça está virada para Ocidente e emoldurada por um esquadro aberto e por um ramo de acácia. A porta do templo abre-se e o mestre-de-cerimónias faz ajoelhar o maçom que entrou de costas na sala. Tudo está preparado para o fazer subir mais um degrau na ordem secreta. O mestre experto aproxima-se e cruza a espada com o bastão do mestre-de-cerimónias acima da cabeça do candidato, formando um esquadro. Ouvem-se, em sequência, as pancadas de três malhetes. “De pé e à Ordem, meus irmãos”, diz o venerável da loja. De uma mesa próxima, em forma de triângulo, exige-se o juramento que o maçom faz de imediato: “Eu, Jorge Jacob Silva Carvalho, de minha livre vontade, na presença do Grande Arquitecto do Universo e desta Respeitável Assembleia de Mestres Maçons, juro e prometo solene e sinceramente nunca revelar a qualquer profano, ou mesmo a qualquer Aprendiz ou Companheiro, os segredos do Grau de Mestre.”

Há muito que o actual director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), a secreta que actua fora de Portugal, disse estas palavras num templo da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP). E reiterou, como se faz sempre nos 33 graus maçónicos, os pactos secretos de silêncio e auxílio: “Renovo a promessa de amar os meus irmãos, de os socorrer e ir em seu auxílio. Se alguma vez me tornar perjuro que, segundo o castigo tradicional, o meu corpo seja cortado em dois e que eu seja desonrado para sempre e que não fique de mim memória junto dos maçons.”

Após o compromisso, o venerável mestre colocou-lhe a espada sobre a cabeça e informou-o em voz alta que a partir de então passava a ter poderes para “comandar” os companheiros e os aprendizes, os dois degraus inferiores da maçonaria. Seguiram-se mais golpes de malhete cruzados com a sequência de palavras de um rito escocês com séculos que lhe passou a contar novos segredos: os cinco pontos perfeitos da mestria, um toque, duas palavras e quatro sinais. O Sinal de Socorro foi um deles. “Se alguma vez te encontrares em grave perigo, chama os irmãos em teu socorro, com o seguinte sinal: atira o pé direito para trás, com o busto inclinado, ergue ambas as mãos acima da cabeça, tendo os dedos entrelaçados, as palmas viradas para cima, e exclama: A. M. O. F. D. V!” Hoje, aos 42 anos, Jorge Silva Carvalho, espião requisitado ao Serviço de Informações e Segurança (SIS) e ex-chefe de gabinete de Júlio Pereira, secretário-geral do Sistema das Informações da República Portuguesa (SIRP), já está a meio dos altos graus da maçonaria (que vão do 4.º ao 33.º) e é apenas um dos responsáveis de topo dos serviços secretos portugueses que fazem parte da GLLP e do Grande Oriente Lusitano (GOL), as duas principais correntes maçónicas portuguesas.

Rituais maçónicos à parte, um agente secreto vive da discrição, de códigos e de simulação. O Estado faculta-lhe identificações fictícias, forma-o para se infiltrar em organizações criminais e praticar contra-informação, investiga-lhe a vida profissional e pessoal, exige-lhe declaração de rendimentos e património como a um político e pode dispensá-lo alegando meras “razões de segurança”. Mas fora das paredes do SIS e do SIED há espiões que fornecem fotografias de rosto e se identificam antes de assinarem testamentos espirituais (ver caixa).

São vendados e iniciados numa ordem que lhes permite usar sinais, passaporte maçónico e cartão de solidariedade no estrangeiro e em Portugal. Em segredo, usam à cintura aventais decorativos e juram fidelidade e auxílio a uma irmandade composta por políticos, assessores de ministros, empresários, polícias, juízes e jornalistas.

Jorge Silva Carvalho é apenas um deles. Integrou a Loja Mercúrio – que iniciou o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais –, mas acabou por transitar para a Mozart n.º 49, porventura hoje a mais poderosa loja da GLLP e que, segundo documentos internos consultados pela SÁBADO, terá entrado em funcionamento em Setembro de 2006 pela mão de Paulo Noguês, vice-presidente do Instituto Luso-Árabe para a Cooperação e secretário-geral da Associação de Amizade Portugal/EUA, e pela de António Neto da Silva, empresário, ex-deputado do PSD e presidente daquela associação. Organizações que, juntamente com o Instituto Transatlântico Democrático, dirigido por Rui Paulo Figueiredo (venerável da Loja Mercúrio), têm uma forte presença de maçons entre os dirigentes.

No ano passado, Silva Carvalho desempenhou na Mozart o cargo de venerável, uma espécie de director em funções. É uma loja tão discreta que nem sequer se faz representar em sessões colectivas como o Conselho de Veneráveis e a Assembleia Geral da Grande Loja – que decorreu na sede da GLLP, a 27 de Setembro deste ano, e que foi acompanhada pela SÁBADO (ver caixa e filme). É em salas de hotéis como o Marriott, Vip Zurique ou Penta, ou no 1.º andar de um discreto edifício, na Rua Pereira da Rosa, no Bairro Alto, alugado pelos altos graus da GLLP – designados Supremo Conselho para Portugal –, que se juntam outros “irmãos” membros dos serviços de informações.

Um deles será F. R., um tenente-coronel da GNR que já integrou o SIS e que, em 2007, quando Silva Carvalho era chefe de gabinete do SIRP, foi nomeado por Júlio Pereira director do Departamento de Segurança, um dos novos quatro departamentos comuns do SIS e do SIED. Outro é o operacional J. A., técnico superior de informações do SIS.

Os três não responderam aos contactos da SÁBADO. O mesmo aconteceu com outros operacionais dos serviços de informações que a SÁBADO detectou a partir do cruzamento de largas dezenas de nomes de maçons mencionados nos documentos internos da GLLP. No SIS, o director de área T. C. tem vários anos de maçonaria e foi inclusivamente eleito venerável da Loja Jerusalém no equinócio de Outono de 2006, cumprindo o mandato até Junho de 2007. Por outro lado, o ex-pára-quedista J. F., funcionário do SIS há mais de 10 anos e actual director de área, é uma conquista relativamente recente da maçonaria. Foi iniciado na Loja Fernando Pessoa da GLLP, para onde entrou juntamente com outros dois aprendizes iniciados entre Outubro de 2005 e Janeiro de 2006, como revela um documento de novas entradas da GLLP. Outro irmão da Loja Mercúrio é R. N. P., um operacional do SIED e membro do Instituto Luso-Árabe.

“A maçonaria é equilíbrio e, por isso, tudo permanece bem desde que não haja uma avalancha de gente dos serviços de informações”, diz à SÁBADO um dos mais influentes maçons da GLLP, solicitando o anonimato. A mesma fonte garante que o número de espiões maçons não deve ultrapassar uma dúzia. “Nas democracias mais maduras, como nos EUA, Inglaterra ou França, é também normal encontrar gente dos serviços de informações nas respectivas maçonarias”, conclui.

O autor espanhol Manuel Guerra, no livro Trama Maçónica, editado este ano em Portugal (Principia), destaca a alegada colaboração maçónica verificada nos anos 90 e durante os governos do PSOE de Filipe González, precisamente quando “foi necessário por mais de uma vez renunciar à alta política diplomática e lançar mão das ligações pessoais de maçons espanhóis com alguns maçons franceses influentes para obter um maior apoio da França na luta antiterrorista contra a ETA. Nessa altura, o chefe dos serviços secretos franceses era Pierre Marion, um destacado maçom francês, membro da Grande Loja Nacional Francesa”.

A relação próxima entre a maçonaria e alguns membros dos serviços secretos está a provocar polémica entre os espiões. Um alto quadro dos serviços secretos garante-o: “Há muita gente preocupada com esta situação. Claro que podem existir quebras de segurança, mas o problema maior é se acontece um escândalo qualquer, como o da Universidade Moderna, que começou numa guerra na Casa do Sino, e o SIS e o SIED acabam arrastados por causa de gente nossa que esteja nas lojas maçónicas.”

A SÁBADO dirigiu por escrito um conjunto de questões sobre maçonaria, segurança e recrutamento de espiões aos directores do SIED, Jorge Silva Carvalho, e do SIS, Antero Luís, mas apenas recebeu uma curta resposta do gabinete do juiz desembargador Antero Luís: “Encarrega-me o Senhor Director-Geral de o informar que quaisquer comentários sobre o tema Maçonaria são da competência do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP).” As perguntas seguiram para Júlio Pereira, secretário-geral do SIRP. Ficaram sem resposta até ao fecho desta edição.

Nos últimos anos, a ligação a organizações como a maçonaria ou o Opus Dei tem sido discutida de forma particularmente intensa. Em Inglaterra, o governo de Tony Blair impulsionou um movimento que exigia que os maçons se identificassem quando estivessem a exercer profissões relacionadas com cargos ou serviço público. No sector da justiça, mais de 1400 juízes decidiram voluntariamente divulgar que eram maçons. Em Portugal, no mês passado, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), que representa cerca de 1900 magistrados, deu um passo que promete fazer história: “O juiz não integra organizações que exijam aos aderentes a prestação de promessas de fidelidade ou que, pelo seu secretismo, não assegurem a plena transparência sobre a participação dos associados.” O princípio, que não refere especificamente a maçonaria nem diz como será implementado, consta do Compromisso Ético aprovado no 8.º Congresso dos Juízes Portugueses.

“Não adianta nada pedir o registo de interesses para associações secretas. Pretendemos ir mais longe e não permitir a pertença”, diz à SÁBADO o presidente da ASJP, António Martins. “Tivemos a noção de que estávamos a ser exigentes com os juízes. Se isto é uma porta aberta para outras classes profissionais? Serão elas a avaliar a exigência que têm de fazer aos seus membros.”

António Reis, Grão-Mestre do GOL, é peremptório: “Legalmente, ninguém pode ser obrigado a declarar a sua pertença a uma associação de direito privado”. E sublinha que a discussão é até desprovida de sentido em face dos direitos constitucionais sobre a livre associação. “Eu não posso garantir que não haja maçons que ocupem cargos no Estado, incluindo os dos serviços de informações. O que garanto é que não existe nenhuma estratégia da maçonaria para controlar esses ou outros cargos”.

O poder de influência da maçonaria não aparece nas juras de segredo e nos livros dos ritos praticados nas lojas, mas é um tema omnipresente na história da GLLP e do GOL. E muitos maçons têm de o assumir quando menos esperam. Foi o que aconteceu com o maçom Abel Pinheiro, que esteve sob escuta judicial no âmbito do processo Portucale e que foi acusado pelo Ministério Público por tráfico de influências.

A 6 de Março de 2005, seis dias antes da tomada de posse do novo governo socialista, Abel Pinheiro ligou ao irmão social-democrata Rui Gomes da Silva, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares do governo de Santana Lopes. Na conversa gravada, os dois concordavam que José Sócrates (que tomaria posse a 20 de Março) estava a prejudicar a irmandade do GOL, não nomeando nenhum maçom para lugares de decisão política. O diagnóstico incluía outro ponto: a afronta iria deixar vulnerável o futuro governo. Nessa conversa, Abel Pinheiro chegou a dizer que a maçonaria era o verdadeiro poder no País, anunciando de seguida que acabara de ser iniciado o socialista José Magalhães (actual secretário de Estado da Administração Interna). E referiu-se à sua loja, a Convergência, como “O Gabinete”, nome pelo qual era conhecida durante os governos de António Guterres.

Ali tinham assento “irmãos” como o presidente do Tribunal Constitucional, Luís Nunes de Almeida, António Vitorino, Vitalino Canas, José Nuno Martins ou Henrique Monteiro, actual director do Expresso.

Abel Pinheiro caiu em desgraça no GOL por falar de mais, mas Rui Gomes da Silva continua bem rodeado de irmãos na sua própria loja, a poderosa Universalis. Foi esta a loja do GOL, com cerca de 60 irmãos, que conquistou há cerca de um ano o espião Heitor Romana, um histórico do SIS que fundou informalmente os serviços de informações portugueses em Macau e que chegou a director-adjunto do SIEDM, a secreta externa que o actual SIED substituiu. No ano passado, foi nomeado por Júlio Pereira e tomou posse como director de Recursos Humanos dos dois serviços de espionagem portugueses. Heitor Romana encontrou na Universalis um outro homem das informações, José de Almeida Ribeiro, o adjunto que José Sócrates requisitou ao SIS para o seu gabinete – e que também não respondeu ao contacto por email feito pela SÁBADO.

Na Universalis juntam-se espiões irmanados com políticos, como os sociais-democratas Rui Gomes da Silva e Miguel Relvas, como o director da ASAE, António Nunes, como o gestor e vice-presidente dos CTT, Pedro Santos Coelho, como o socialista ex-secretário de Estado da Saúde José Miguel Boquinhas, como jornalistas como Emídio Rangel e António Borga ou como universitários como José Adelino Maltez e António Costa Pinto.

É no GOL que também estão outros, ainda que discretos, operacionais dos serviços de informações portugueses. C. G. é técnico superior e um histórico do SIS. Está há largos anos no GOL e é visto como muito próximo do anterior candidato a grão-mestre, Filipe Frade, o representante do rito francês na maçonaria irregular. Outro espião é N. C., ex-director regional do SIS Madeira, que transitou para o actual SIED em 2004 e que ali chegou a gerir o todo-poderoso departamento das fontes secretas. Em 2008, já na direcção de Jorge Silva Carvalho, foi colocado como antena na embaixada portuguesa em Madrid.

(António José Vilela e João Pimentel,Revista Sábado)

Dossier Crise: O BCE ao serviço da especulação financeira

No Artigo 21º.1 dos estatutos do BCE (Banco Central Europeu) declara-se:

“De acordo com o disposto no artigo 123.o do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, é proibida a concessão de créditos sob a forma de descobertos ou sob qualquer outra forma, pelo BCE ou pelos bancos centrais nacionais, em benefício de instituições, órgãos ou organismos da União, governos centrais, autoridades regionais, locais ou outras autoridades públicas, outros organismos do sector público ou a empresas públicas dos Estados-Membro; é igualmente proibida a compra directa de títulos de dívida a essas entidades, pelo BCE ou pelos bancos centrais nacionais.”

Este artigo nos estatutos do BCE deveria levantar muitas perguntas e induzir muitas reflexões. O que ele impõe é a proibição do BCE comprar dívida directamente aos Estados soberanos e independentes da Europa ao mesmo tempo que permite a compra da dívida desses Estados nos mercados secundários… ou seja, se um Banco adquirir essa dívida pode depois vendê-la ao BCE que assim a adquire, já não directamente ao Estado que a emitiu, mas sim à Banca. Isto gerou o seguinte mecanismo:

Os bancos começaram a comprar dívida aos Estados nacionais cobrando taxas de juros que iam de 5% a taxas superiores a 10% (conforme os prazos de pagamento) e depois iam vender essa mesma dívida ao BCE pagando taxas de juros de 1%.

Este esquema inacreditável permitiu aos banqueiros europeus fazerem lucros absurdos enquanto os Estados nacionais iam sufocando, entravam em bancarrota e as populações iam caindo na miséria.

Portanto, aquele artigo nos estatutos do BCE serve para colocar o BCE a financiar o enriquecimento especulativos dos banqueiros à custa do povo, o que significa que, para quem quisesse verdadeiramente enfrentar esse problema, a alteração do artigo 21º seria um dos pontos de partida.

Algumas perguntas se impõem:

1- Com excepção da extrema-esquerda, nenhuma força política, desde a esquerda democrática à direita capitalista, acha este mecanismo escandaloso e grotesco?

2- Quem está por detrás da imposição deste artigo?

3- O BCE (e consequentemente a U.E.) existe para defender e servir as nações europeias ou os interesses particulares dos grandes financeiros?

Dossier Crise: O Entulho que mina a pátria

Estes são os banqueiro portugueses. Estão à rasca porque se endividaram demais, empanturrando-se em alavancagens. Agora precisam de 37 mil milhões ( pelo menos) nos próximos três anos. Estes cinco banqueiros enterraram-se em dívidas, à semelhança dos portugueses dirigidos por um Partido Socialista que governou praticamente nesta última dúzia de anos.

Há um deles que descende de banqueiros que lidaram com Salazar e Caetano: Ricardo Salgado. Os pais e avôs souberam lidar com a ditadura mas não impunham regras à ditadura como este descendente impõe à democracia, incentivando despesa pública para a financiar. Parte dos nossos problemas a ele se devem. À sua cupidez natural e falta de ética de responsabilidade social e nacional. Provas?

O comunista António Vilarigues apresenta-as hoje no Público:

” Contas feitas pelo economista Eugénio Rosa ( uma espécie de Medina Carreira alternativo e sem projecção mediática, mas com maior rigor matemático- nota minha) indicam que segundo os dados do Banco de Portugal, no período 2000-2010, a dívida total líquida do país aumentou 269 por cento. A dívida líquida externa do Estado cresceu 122,6, por cento, menos de metade do crescimento da dívida do país. Mas a dívida líquida da banca e das empresas ao estrangeiro aumentou 629,2 por cento(!!!). Isto é, cinco vezes mais que o aumento percentual da dívida externa do Estado.”

E continua:

” Uma das características da actual crise é a transformação da dívida privada, contraída pelo sistema financeiro com as suas trampolinices e “lixos tóxicos”, em dívida pública a ser paga por todos nós. No caso de Portugal, os dados são esclarecedores. Desde 2008 ( em euros) a banca portuguesa recebeu quatro mil milhões dados pelo Governo; 20 mil milhões em avales; cerca de 7,7, mil milhões ( ou quase cinco por cento do PIB de Portugal) enterrados no BPN, dos quais dois mil milhões já aparecem nas contas públicas; cerca de 450 milhões no BPP; cerca de quatro mil milhões ( 2008 a 2010) só em juros roubados dos nossos impostos no esquema de “eu ( banco português) vou ao BCE pedir a um por cento e empresto-te a 4, 5 a 6 a 7, a 8 a 9…por cento”; para pagamento do IRC a rondar em média os 10 por cento ( quando a taxa é de 25 por cento); no OE para 2011 avales no valor de 20,181 milhões e ajudas para aumentos de capital de 9,146 milhões; lucros líquidos em 2010 iguais aos de 2009- cinco milhões de euros por dia- pagando metade dos impostos.”

E pergunta o articulista comunista: ” E dizem que já não aguentavam mais sacrifícios?” E acrescenta ainda: ” o comissário europeu para os assuntos económicos revelou que “é quase certo” que parte dos 80 mil milhões da chamada ajuda para Portugal será canalizado para a banca portuguesa.”

Dito isto talvez valha a pena acrescentar que aquela fina flor do lixo em que transformaram os seus bancos, assim considerados pelas agências de rating, merecem um castigo nacional. Não deveriam ficar impunes nesta desgraça porque são autores, co-autores e cúmplices do desgoverno da última dúzia de anos.

O dito Ricardo Salgado ainda nem há muito tempo, numa daquelas entrevistas de quem sente o rei na barriguinha cheia dizia que o primeiro-ministro Inenarrável que ainda temos, era um político aceitável e disse também que eram precisos os tais mega investimentos. E não foi assim há tanto tempo…

Tal como não foi assim há tanto tempo- Outubro de 2009- que em entrevista à TSF disse isto:

Ricardo Salgado considerou Teixeira dos Santos «dos melhores ministros das Finanças que Portugal jamais teve».«Na minha opinião pessoal, é muito bom para o nosso país» que continue à frente do Ministério das Finanças, no novo Governo apresentado por José Sócrates, defendeu.

Entulho, disse? É pouco. Talvez responsável directo pelo “lixo tóxico”.

(Via Porta da Loja)

A voragem do capital global contra o Estado-Nação

«As duas características distintivas da globalização são a ascensão do capital transnacional e a supressão do Estado-Nação enquanto eixo do desenvolvimento mundial. As conhecidas alterações na tecnologia, particularmente a revolução da informação e das comunicações, mas também as revoluções nos transportes, automatização, robótica, etc., e aquelas facilitadas pelo marketing e pela gestão, permitiram ao capital conseguir mobilidade global, e através dessa mobilidade o capital tornou-se transnacional.

Cada época na história moderna assistiu a uma expansão sucessiva do capitalismo mundial sobre o modelo existente na época precedente que reforçou as redes transnacionais de relações e quebrou progressivamente as autonomias locais, nacionais e regionais. Cada uma dessas ondas também assistiu ao estabelecimento de conjuntos de instituições que tornaram essa expansão possível. Desde os tratados de Vestefália do século XVII, que consagraram o sistema de Estado-Nação, até à década de 1960, o capitalismo floresceu através de um sistema que gerou estruturas nacionais, instituições e agentes concomitantes. A Globalização, porém, fez erodir progressivamente estas fronteiras nacionais e tornou estruturalmente impossível às nações individuais manterem economias, políticas e estruturas sociais independentes, ou até autónomas. Uma característica chave da época actual é a supressão do Estado-Nação como princípio organizativo do capitalismo.»

In Adbusters nº 95

Relações mafiosas

(Na fotografia os cinco maiores banqueiros portugueses: Nuno Amado, Ricardo Salgado, Faria de Oliveira, Carlos Santos Ferreira e Fernando Ulrich.)

Um dos motivos por que o Governo se tornou fiador de 20 mil milhões de euros de transacções intra-bancárias…?
Os de hoje vão estar como gestores da Banca amanhã, pois os de ontem, já estão por lá hoje.

Vejamos a lista:

Fernando Nogueira:

Antes -Ministro da Presidência, Justiça e Defesa
Depois – Presidente do BCP Angola

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José de Oliveira e Costa (o tal que esteve na gaiola):

Antes -Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Depois -Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)

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Rui Machete (o tal que agora ninguém o ouve):

Antes – Ministro dos Assuntos Sociais
Depois – Presidente do Conselho Superior do BPN; (o banco falido, é só gamanço)
Presidente do Conselho Executivo da FLAD

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Armando Vara (o tal a quem o “sucateiro” dava caixas de robalos):

Antes – Ministro adjunto do Primeiro Ministro
Depois – Vice-Presidente do BCP (demissionário a seu pedido, antes que levasse um chuto no cú)

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Paulo Teixeira Pinto (o tal que antes de trabalhar já estava reformado):

Antes – Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Depois – Presidente do BCP (Ex. – Depois de 3 anos de ‘trabalho’,
saiu com 10 milhões de indemnização! E mais 35.000 EUR x 15 meses por ano até morrer…)
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António Vitorino:

Antes -Ministro da Presidência e da Defesa
Depois -Vice-Presidente da PT Internacional;
Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta – (e ainda umas ‘patacas’ como comentador RTP)

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Celeste Cardona (a tal que só aceitava o lugar na Biblioteca do Porto se tivesse carro e motorista às ordens – mas o vencimento era muito curto):

Antes – Ministra da Justiça
Depois – Vogal do CA da CGD (que maravilha – ordenado principesco – o “Zé” paga.)
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José Silveira Godinho:

Antes – Secretário de Estado das Finanças
Depois – Administrador do BES (viva o luxo)
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João de Deus Pinheiro (aquele que agora nem se vê):

Antes – Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros
Depois – Vogal do CA do Banco Privado Português (o tal que deu o berro).

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Elias da Costa:

Antes – Secretário de Estado da Construção e Habitação –
Depois – Vogal do CA do BES (pois claro, agora é banqueiro)

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Ferreira do Amaral (o espertalhão, que preparou o terreno):

Antes – Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte)
Depois – Presidente da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o contrato (pois claro, à tripa forra).

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Etc., etc., etc…

Autor: Carlos Alberto Carrasco

Soem os alarmes

Nos últimos tempos têm surgido na Europa alguns movimentos políticos que se procuram apresentar como patriotas, nacionalistas, identitários, ou, enfim, próximos dessa zona política, mas que, na realidade, servem interesses exteriores e opostos aos das nações e povos europeus. Não há inimigo mais perigoso do que aquele que destrói e corrompe a partir do interior. A pergunta fundamental é esta: como separar o trigo do joio? E a resposta é simples: Desconfiem permanentemente daqueles cujo discurso se centra exclusivamente na crítica ao islão.

O que é que o PIB diz sobre uma nação?

(idolatria do Bezerro de Ouro, desenho de Henri Meyer)

«Em excesso e durante demasiado tempo, parece termos submetido a excelência e os valores da comunidade à mera acumulação de coisas materiais. O nosso PIB, se devêssemos julgar a América por isso, – inclui poluição do ar e publicidade ao tabaco e ambulâncias para limpar as nossas auto-estradas de carnificinas. Inclui cadeados especiais para as nossas portas e prisões para aqueles que os arrombam. Inclui a destruição das nossas florestas e a perda das nossas maravilhas naturais na caótica expansão urbanística. Inclui o napalm e o custo de uma ogiva nuclear, e carros blindados para a polícia que combate motins nas nossas ruas, inclui a espingarda de Charles Whitman e a faca de Richard Speck e os programas de televisão que glorificam a violência para venderem brinquedos às nossas crianças.

Contudo o PIB não providencia a saúde das nossas crianças, a qualidade da sua educação, ou a alegria das suas brincadeiras. Não inclui a beleza da nossa poesia ou a solidez dos nossos casamentos, a inteligência do nosso debate público ou a integridade dos nossos funcionários públicos. Não mede nem o nosso engenho nem a nossa coragem, nem a nossa sensatez nem o que aprendemos, não mede a nossa compaixão nem a nossa devoção à pátria, mede tudo, em resumo, excepto o que torna a vida valiosa. E diz-nos tudo sobre a América excepto a razão pela qual nos orgulhamos de ser americanos»

Robert F. Kennedy, University of Kansas, Lawrence, Kansas, 18 de Março de 1968

Lembram-se desta cena no magistral clássico de John Carpenter?

Pedro Varela condenado por vender livros

Pedro Varela, o proprietário da Libreria Europa, acaba de ser condenado em Espanha a 1 ano e 3 meses de prisão, pelo crime de “difusão de ideias genocidas”!?

Esclarecendo: Pedro Varela foi condenado à prisão por vender livros. Nada mais. O problema é que alguns desses livros contestam a historiografia oficial do holocausto judaico e no Ocidente os interesses judaicos determinam os limites daquilo que podemos dizer e pensar.

Que liberdade existe quando não há liberdade para duvidar dos factos oficiais, seja de que história for? Se o holocausto aconteceu e se aconteceu como é apresentado pelos sistemas de poder no Ocidente, por que é que têm medo que as pessoas possam ler opiniões divergentes e ser apresentadas a outros dados? Se o sistema não confia na capacidade das populações distinguirem a verdade num assunto que é supostamente tão evidente como o holocausto, o que é que isso diz sobre a capacidade da democracia funcionar com base no voto e na capacidade de decisão das populações?

Há quem, perante esta decisão do sistema judicial espanhol, lembre o livro de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451”. Nessa famosa ficção somos transportados para uma realidade em que as pessoas estão proibidas de ler livros, são detidas se tiverem livros e estes são queimados…mas a verdade é que esta realidade ultrapassa aquela ficção. Porque naquela ficção a censura era evidente e declarada. Na nossa realidade, ela é dissimulada, o sistema não nos impede de ler ou publicar livros, o sistema até encoraja determinada leitura, porque a sua propaganda também se faz dessa forma. Não! Na nossa realidade só alguns livros são perigosos, só alguns livros não devem ser escritos ou editados… e são “eles” que decidem o que “nós” podemos ler.

Uma nota final para o imenso silêncio que, mais uma vez, se fez sobre esta condenação. É impressionante que entre tantos dedicados defensores da liberdade que existem nas sociedades ocidentais, as pessoas possam ser presas por vender livros sem o mínimo ruído. Terrivelmente revelador.