What is left of the right right please take the right step…

2009 Dezembro 15
por Rodrigo

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«Depois do colapso da União Soviética a revista Time perguntou “Poderá a Direita sobreviver ao sucesso?” A Time citava um intelectual conservador que dizia: ”é sinal de um enorme triunfo que não existam hoje em dia quaisquer assuntos galvanizadores para os conservadores”.

“Nada pode estar mais longe da verdade”, respondeu James Cooper, editor da American Arts Quarterly. “ Um tema maior de galvanização para os conservadores, na realidade, para todos os americanos…a grande tarefa inacabada a que o presidente Reagan aludiu no seu discurso de despedida…é reconquistar a cultura à esquerda…”.

Enquanto a maior parte dos conservadores tinham estado a combater a guerra-fria, um pequeno grupo tinha ficado a segurar a frente abandonada, a guerra da cultura. Cooper pedia aos conservadores que tomassem a guerra cultural como sua nova causa e falava do terreno já perdido:

“Há setenta anos o marxista italiano António Gramsci (1891-1937) escreveu que a missão mais importante do socialismo era “capturar a cultura”. No final da segunda grande guerra, a esquerda liberal tinha conseguido capturar não apenas as artes, o teatro, a literatura, a musica, o ballet, mas também o cinema, a fotografia, a educação e a comunicação social.Através do seu controlo sobre a cultura, a esquerda dita não apenas as respostas, mas também as perguntas que são feitas. Em resumo, controla a cosmologia pela qual a maioria das pessoas compreende o significado dos acontecimentos. Esta cosmologia é baseada em dois axiomas: o primeiro é que não existem valores absolutos no universo, não existem padrões de beleza e fealdade, bem e mal. O segundo axioma é – num universo sem Deus – que a esquerda detém superioridade moral na qualidade do árbitro final das actividades dos homens.”

Os conservadores ignoraram o grito de Cooper. Ao invés, lutaram contra a universalização do sistema de saúde, em favor do tratado norte-americano de comércio livre, pela organização mundial de comércio. (…) Será que a subida do PIB em 2,3 ou 4 pontos é tão importante quanto a sobrevivência da civilização ocidental (…)? Com as baixas taxas de natalidade, a abertura de fronteiras e o triunfo de um multiculturalismo anti-ocidental, é isso que está hoje em causa (…) e demasiados conservadores desertaram na última grande batalha das nossas vidas.»

Patrick Buchanan, in The Death of the West, St. Martin’s Press, pp.57-58

Racismo vs Adaptação

2009 Dezembro 13
por Rodrigo

«Alguns ainda se lembrarão da mais ou menos recente polémica que envolveu a Microsoft através da sua filial polaca, tudo porque esta resolveu, numa publicidade, substituir a cabeça de um homem mulato pela de um homem branco. Racismo! Gritaram logo os habituais sectores exaltados da sociedade. Perdão! Disse apressadamente a empresa americana.

Quem conseguir aliar o bom senso ao mínimo conhecimento do mundo, saberá que a “identificação” é algo de essencial na publicidade. O público-alvo tem de se identificar com as coisas que vê. É por isso que, sendo a publicidade feita na China muito mais barata do que a que se faz por cá, os detergentes para a louça não têm chineses sorridentes mas sim brancos. É por isso que se contratam caras conhecidas da TV para comerciais – porque as pessoas as conhecem e se “identificam” com elas…

Ora, na Polónia não há pretos. E, mesmo que houvesse, não seriam mais do que uma parcela insignificante das várias dezenas de milhões de habitantes que o país tem, logo, um anúncio com um mulato lá metido, não tem nada a ver com o público-alvo.

Por cá, apesar de os não-brancos não chegarem a, parece, 2% da população, já vai havendo o hábito de exagerar a proporção incluindo sempre alguém mais escuro de forma a contentar os espíritos politicamente correctos.

Mas, na Polónia não o fizeram e, vai daí, caiu o Carmo e a Trindade. Curiosamente, tivemos acesso a outro caso semelhante, ainda mais recente, e que envolveu a série de desenhos animados “Simpsons”. Estes, como sabem, são orgulhosamente (ups…) amarelos mas passaram por uma cura de escurecimento para a publicidade relativa ao lançamento da série em terras africanas, mais propriamente, em Angola.

E agora? Mudaram a cor aos Simpsons (só para a publicidade), vestiram-nos com outras roupas, mudaram-lhes os penteados… Raios, até alteraram a paisagem no quadro pendurado na parede! Mas, atenção, agora já não é um caso de racismo… é, apenas, adaptação ao público-alvo…»

Encontrado no blog Aos Papéis

Da crescente falta de classe nas mulheres…

2009 Dezembro 13
por Rodrigo

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Um grupo de estudo da American Psychological Association analisou os efeitos nocivos para as jovens raparigas da imagem degradante da mulher veiculada pela maioria dos media. O relatório denuncia a sexualização sistemática das mulheres, quer seja nas revistas para adolescentes, nas emissões de televisão, nos jogos de vídeo, nos filmes e nos clips musicais. As campanhas de publicidade e os produtos destinados às crianças e às jovens foram igualmente analisados.

O relatório define a sexualização como a apresentação da mulher enquanto objecto sexual que não tem outro valor para além da atracção que exerce através do seu comportamento. Os efeitos nocivos que a sexualização implica vão desde distúrbios alimentares à depressão. O estudo debruça-se apenas sobre os efeitos nocivos físicos, não entrando no domínio moral que é preciso aqui lembrar: a imagem degradante da mulher transmitida pelos media é uma fortíssima incitação a uma conduta sexual desordenada e imoral.

Exemplos de sexualização, denunciados no relatório:

- As jovens «pop stars» apresentadas como objectos sexuais
- As bonecas vestidas de forma ordinária e as mesmas roupas disponibilizadas para meninas de sete anos: espartilhos, meias de renda, etc.
- Modelos adultas vestidas provocatoriamente como crianças

(…) As pesquisas sistematizadas por este grupo de estudo demonstram que certas imagens e a promoção das raparigas como objectos sexuais acarretam numerosas consequências nocivas para a saúde psicológica e o desenvolvimento das jovens.

Andrew Hill, professor de psicologia médica na Universidade de Leeds, declarou que era difícil estar em desacordo com as conclusões do estudo: «se olharmos as revistas para adolescente, só se fala de sexo» (…)

«Apenas 18% do que as crianças vêem na televisão corresponde ao horário e aos programas que lhes são destinados e a legislação não pode ser a única solução para tudo. Uma das respostas é a responsabilidade social, a dos anunciantes e a dos media. Devem estar conscientes de que os seus produtos e as imagens associadas a esses produtos têm um impacto e que esse não é sempre positivo». (NdT. como se eles não tivessem essa consciência…passe a ingenuidade.)

Fonte: Avenir de la culture, via Euro Synergies

Do individualismo…

2009 Dezembro 12
por Rodrigo

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«É necessário um esclarecimento sobre os equívocos do que chamamos individualismo.

O reconhecimento e a exaltação da individuidade (o facto de se ser portador de uma individualidade) são consubstanciais à Europa de sempre, enquanto a maior parte das outras grandes culturas ignoram o indivíduo e apenas conhecem o grupo. Os poemas fundadores da Tradição europeia, a Ilíada e a Odisseia, exaltam ambos a individuidade dos heróis no confronto com o destino. Estes poemas não têm equivalente em nenhuma outra civilização. Cantam os heróis sob a forma épica (a Ilíada é a primeira das epopeias) e sob a do romance (a Odisseia é o primeiro de todos os romances). Por definição, os heróis são a expressão de uma forte individuidade. São pessoas no sentido grego do termo. Não são pessoas à nascença (no seu nascimento o pequeno indivíduo não é nada, está no estado potencial). Tornar-se uma pessoa é uma questão de mérito, pelo esforço contínuo e formação de si (dar-se a si mesmo uma forma interior). Antes de ter direitos, a pessoa tem primeiramente deveres, face a si própria, à sua linhagem, ao seu clã, à sua Cidade, ao seu ideal de vida. Os europeus que são portadores da herança grega por atavismo e por impregnação cultural, receberam esse legado. Ele foi posteriormente degenerado tornando-se o individualismo exacerbado das sociedades ocidentais contemporâneas, uma espécie de narcisismo hegemónico.

Historicamente a expressão primeira do individualismo moderno data da reforma calvinista que está na origem daquilo que Max Weber definiu como essência do capitalismo. Esta forma de individualismo foi depois celebrada de diversas formas na época do Iluminismo. Recebeu uma consagração ideológica com a declaração dos direitos do homem da revolução americana e da revolução francesa, enquanto o código civil (Napoleão) lhe dava uma consagração jurídica. O movimento das ideias havia-se associado à evolução da sociedade, à afirmação social e política da burguesia e do seu individualismo intrínseco, para produzir a grande revolução dos comportamentos que apenas triunfará verdadeiramente na Europa após as catástrofes de 1914/1945»

Dominique Venner, Le Siècle de 1914, p.385

Das castas prostitutas…

2009 Dezembro 12
por Rodrigo

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«Um golpe aqui:” outros seriam mais merecedores”, um golpe ali:”a guerra é justificável somente como último recurso, para autodefesa “, contudo “existem guerras destinadas à paz”. Pelo prémio recebido pelo comandante em chefe de duas guerras de agressão, no Iraque e no Afeganistão, contrárias a qualquer direito internacional, uma comovente motivação: “decisivo o seu empenho na não proliferação nuclear no Médio Oriente”. Em Israel, como arma secreta, sim! No irão, para uso civil, não!

É como dar o Nobel da castidade a uma prostituta.»

Adaptado de Rinascita, sobre o Nobel da paz entregue a Obama.

Eles comem tudo e não deixam nada…

2009 Dezembro 12
por Rodrigo

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(Na fotografia o papá da prodigiosa assessora profissional)

«Um acontecimento de hoje que diz muito sobre o estado a que Portugal chegou.
Na Assembleia da República, PS e PSD concordaram em apresentar o nome de Catarina Sarmento e Castro para substituir Mário Torres no Tribunal Constitucional.
É o costume, os dois partidos escolhem sempre por acordo quem vão nomear para “juiz do Tribunal Constitucional” (e podemos estar certos que gostariam de proceder assim em relação a todos os tribunais, mas ainda não se chegou a tanto).
Todavia, posto o nome a votação, a Catarina Sarmento e Castro falhou por cinco votos a eleição para juíza do Tribunal Constitucional. Alguns deputados devem ter sentido que isto é demais, mesmo para os critérios mais elásticos.
A candidata proposta pelo PS e PSD reuniu 139 votos, mas teve 67 votos em branco e 10 nulos, num universo de 216 votantes. Como são precisos dois terços, a eleição falhou.
Não há problema: o PS e o PSD, através dos seus chefes dos grupos parlamentares, já anunciaram que vão repetir a proposta. E certamente à segunda vai dar certo, como acontece nos referendos que correm mal à primeira vez, porque lá terão que ir votar pela trela os deputados agora relapsos ou faltosos.
A jovem Catarina Teresa Rola Sarmento e Castro é filha de Osvaldo Castro, deputado socialista e presidente da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, e é assistente de Direito na Universidade de Coimbra.
Como curriculum, temos que a candidata foi assessora do Ministério da Administração Interna, integrou a Comissão Nacional de Protecção de Dados, foi assessora do gabinete do Presidente do Tribunal Constitucional e assessora da secretaria de Estado da Modernização Administrativa. Como se pode ver, tudo cargos a que habitualmente se chega por mérito – ao menos o mérito de ser filho da pessoa certa e do partido certo para ser nomeado para eles.
É verdade que o Tribunal Constitucional não merece grande respeito, mas ninguém esperaria que os próprios políticos tivessem tão pouca consideração por esse albergue que construiram para os seus eleitos. Ao menos as aparências, caramba!»

Via Terra Portuguesa

A mesma música de sempre…

2009 Dezembro 9
por Rodrigo

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«Sente-se primeiro. Esfregue bem os olhos. Agora leia: a banca de investimento está a ter os melhores lucros de sempre. Já se beliscou? Sim, não é um sonho. Mas pode ser o princípio de um pesadelo.

É difícil acreditar, mas vários dos maiores bancos de investimento do mundo estão a anunciar resultados recorde e já garantiram que 2009 vai mesmo ser o melhor ano de sempre. (…)

Várias razões explicam este desempenho, começando pela subida da Bolsa desde Março, que valorizou carteiras e disparou transacções e comissões daqueles que as intermedeiam. Mais: esta crise foi resolvida com dívida dos Estados, que foi colocada e aconselhada… pela banca de investimento. E são agora menos os actores para dividir o quinhão. A mesma banca tratará dos refinanciamentos e das colocações privadas, que já se reproduzem. Sobretudo: enquanto as taxas directoras a que os bancos centrais financiaram os bancos desceram para níveis recorde, os “spreads” que estes bancos cobram aos clientes dispararam. A diferença entre uma coisa e a outra foi lucro e tem servido de mata-borrão para absorver o lixo tóxico que cirandava nos balanços.

É o terceiro choque que recebemos da banca de investimento em três anos: há dois anos conhecemos-lhes as malvadezes da inovação financeira; há um ano vimo-los falir; este ano surpreendem-nos com os seus lucros. Não se lhes deseja outra sorte, mas as promessas de que a banca de investimento ia mudar para sempre eram dramas da mesma novela em que se aniquilam os “offshores”. Dois anos depois, mudou mesmo algo?(…)

…a banca de investimento, que arrastou o mundo para uma crise apocalíptica; que explicou que era grande de mais para falir, o que era verdade; que obrigou os contribuintes americanos, japoneses, europeus a endividarem os seus próprios filhos; essa banca continua no seu “halloween” de “doce ou travessura”. Ou recebe dinheiro ou rebenta com as economias.(…)»

Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios, 9 de Novembro de 2009

Pistas para a desglobalização

2009 Dezembro 8
por Rodrigo

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Pistas para a desglobalização

O modelo de desglobalização assenta em onze pontos-chave:

1– O centro de gravidade da economia deve ser a produção destinada ao mercado interno e não à exportação;

2- O princípio de subsidiariedade deve ser inscrito na via económica através de incitações a produzir os bens à escala local ou nacional na medida em que isso possa ser feito a custos razoáveis, afim de proteger a comunidade;

3- A política comercial (dito de outra forma, as quotas e barreiras aduaneiras) deve ter por finalidade proteger a economia local contra as importações de matérias-primas subvencionadas a preços artificialmente baixos;

4– A política industrial (que inclui subvenções, barreiras aduaneiras e trocas comerciais) deve ter por objectivo revitalizar e reforçar o sector manufacturado;

5- Sempre adiadas, as medidas de redistribuição equitável dos rendimentos e das terras (incluindo a reforma agrária em meio urbano) podem criar um mercado interno dinâmico que se tornará o pilar da economia e produzirá ao nível local recursos financeiros para o investimento;

6- Dar menos importância ao crescimento, colocar o ênfase sobre a melhoria da qualidade de vida e reforçar a equidade, é contribuir para reduzir os desequilíbrios ambientais;

7- O desenvolvimento e a difusão de tecnologias verdes devem ser encorajadas tanto na agricultura como na indústria;

8- As decisões económicas estratégicas não podem ser deixadas ao mercado nem aos tecnocratas. Todas as questões vitais (determinar que industrias desenvolver, as que é preciso abandonar progressivamente, que parte do orçamento de Estado consagrar à agricultura, etc.) devem, pelo contrário, ser objecto de debates e de escolhas democráticas;

9- A sociedade civil deve em permanência vigiar e supervisionar o sector privado e o Estado, num processo que deve ser institucionalizado;

10- O regime de propriedade deve evoluir para uma economia mista integrando cooperativas e empresas privadas e públicas mas excluindo os grupos multinacionais;

11- As instituições mundiais centralizadas, como o FMI ou o Banco Mundial, devem ceder lugar a instituições regionais assentes não sob a economia de mercado e a mobilidade de capitais mas sobre princípios de cooperação que, segundo a expressão utilizada por Hugo Chavez para descrever a sua Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), “transcendam a lógica do capitalismo”.

O modelo de desglobalização tem por objectivo ir para além da estreita teoria económica da eficiência, para a qual o critério essencial é a redução do custo unitário, quais quer que sejam as consequências em termos de destabilização social ou ecológica. Trata-se de ultrapassar um sistema de cálculo económico que, segundo os termos do economista John Maynard Keynes, transformou” toda a existência numa paródia de um pesadelo de contabilista”

Walden Bello, Professor universitário e membro da Câmara dos Representantes Filipina, na Foreign Policy in Focus, Setembro de 2009 (Via Unité Populaire)

Por Portugal – e mais nada!

2009 Dezembro 8
por Rodrigo

«É um CD para Portugueses admiradores e herdeiros e seguidores das formaturas de 1143, 1385, e 1640 , gente que não tem por hábito pôr-se em bicos dos pés, que só aparece quando é necessária. Gente anónima, modesta, desinteressada e corajosa. Gente que não discute nem põe em causa Portugal, gente que dá sem receber . É para todos esses que eu canto!»

José Campos e Sousa

A superclasse global e o novo mundo que está a criar

2009 Dezembro 7
por Rodrigo

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«Não os elegemos. Não os podemos pôr fora. E eles estão a ficar mais fortes a cada dia.

Chamem-lhes a superclasse.

No momento, os americanos estão concentrados na campanha eleitoral. Entretanto, muitos não percebem uma realidade da era global que pode interessar muito mais do que a sua escolha presidencial: numa lista cada vez maior de temas, as grandes decisões estão a ser tomadas ou profundamente influenciadas por uma mal compreendida rede internacional de lideres empresariais, financeiros, governamentais, culturais e militares que estão para além do alcance dos cidadãos(…)

Duvidam? Olhem para a actual crise financeira. Á medida que os reguladores governamentais tentaram evitar mais perdas de mercado, chegaram à conclusão que talvez o instrumento mais eficaz à sua disposição fosse o que o presidente do New York Federal Reserve Bank descreveu como o seu “poder de convocação” – a capacidade de juntar os grandes agentes de Wall street e dos mercados de capitais numa sala ou numa conferência telefónica para colaborarem na resolução do problema. Isto tornou-se, de facto, uma parte central da gestão de crises, tanto porque os governos nacionais têm uma autoridade reguladora limitada sobre os mercados globais como porque os fluxos financeiros tornaram-se tão grandes que o poder real está com os maiores jogadores – como as 50 instituições financeiras que controlam quase $50 triliões em activos, quase um terço de todos os activos mundiais.

A maior parte das grandes empresas são hoje maiores e mais globais, o que lhes permite escolher entre vários regimes reguladores ou programas de incentivo ao investimento dos diferentes governos. Jogam os dirigentes do país X contra os do país Y, ganhando uma vantagem que torna obsoletas as velhas regras do comércio. As maiores corporações do mundo, como a Exxon ou Wal-Mart, têm vendas anuais (e portanto recursos financeiros) que rivalizam com o PIB de todos os países com excepção dos cerca de 20 mais ricos. As maiores 250 empresas do mundo têm vendas que igualam cerca de 1/3 do PIB global (são medidas diferentes, mas dão uma ideia rudimentar de dimensão relativa).

As maiores organizações de comunicação social, como a News Corp de Robert Murdoch, que é efectivamente controlada por um único indivíduo, alcançam muito mais pessoas todos os dias do que qualquer governo nacional pode conseguir.(…)

As pessoas que dirigem estas grandes organizações internacionais podem ter muito mais poder sobre aspectos chave da nossa vida quotidiana e das tendências globais do que a maioria dos funcionários em Washington, excepto nas circunstâncias mais extremas (…)

Muitos reconhecem que têm cada vez mais em comum com os outros membros da elite global do que têm com o povo das suas próprias nações.(…)»

David Rothkopf, Washington Post, 4 de Maio de 2008